
Certa vez, Jesus estava ensinando a uma multidão, quando um homem se levantou e pediu que Jesus ordenasse ao seu irmão que repartisse com ele a herança. Ora, reprovando-o pela avareza, Jesus afirmou que a vida de um homem não consiste dos bens que possui e contou a todos uma parábola. A parábola dizia a respeito de um homem rico cujo campo produzia com abundância. Este homem, contudo, se questionava quanto ao fato de não ter lugar para guardar todos os frutos da colheita. Repentinamente, o homem encontrou uma solução: destruir os celeiros que possuía e reconstruir outros maiores que comportassem toda a sua produção. Satisfeito, o homem disse a si mesmo: tenho agora estocado muitos bens para muitos anos; agora posso descansar, comer, beber e me regalar...
Enfim, preocupações normais de um homem normal. Um verdadeiro capitalista, daqueles que a gente vê na TV e admira. Daqueles que vendem best-sellers sobre como ficar milionário (e, de fato estes ficam, porque as pessoas, comprando seus livros, acabam contribuindo mais ainda para riqueza deles).
Porém, a verdade é outra e Jesus conclui a parábola dizendo o que ele pensa desse homem. Ele diz: Louco, esta noite, pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.
Pois é, este é o Louco número 1, o louco materialista que se esquece que um dia vai morrer, e que este dia pode ser hoje mesmo. Jesus, em seguida a essa parábola, para tornar as coisas mais claras, começa a ensinar que não devemos andar ansiosos por coisa alguma, mas antes buscar em primeiro lugar o reino de Deus, porque assim todas as outras coisas nos seriam acrescentadas.
Para efeito de comparação, vamos ao Louco número 2. Este outro louco, é aquele que diz frases como as seguintes: Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós nobres, e nós desprezíveis. Até a presente hora, sofremos fome, e sede, e nudez; e somos esbofeteados, e não temos morada certa, e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação; até agora, temos chegado a ser considerado lixo do mundo, escória de todos.
Enfim, este é um doido de pedra. Um cara que aceita ser lixo do mundo. Um cara que certamente não demonstra em seu discurso buscar e receber a tão propalada prosperidade, da qual deveria tomar posse por ser filho do Dono do ouro e da prata. Um cara fora da visão: Louco!
Porém, existe uma verdade aqui também. Esse louco, chamado Paulo, creu na loucura da mensagem da cruz e não tinha o menor problema para assumir essa condição e abrir mão de glórias passageiras em prol de uma glória eterna.
E a multidão...
São aqueles que não querem ser nenhum dos dois loucos e que, portanto, ficam transitando entre os dois tipos e se apegam a uma religião qualquer apenas como desencargo de consciência, legitimando assim, a verdadeira intenção dos seus corações que é obter as glórias ainda nessa vida, porém garantindo o seu passaporte para vida eterna.
Não sou hipócrita de dizer que sou um louco número 2; ainda há resquícios de um certo racionalismo e ceticismo que adoraria que fosse extirpado da minha mente. Porém, esse é o desafio da fé e que me faz a cada dia querer atingir um nível de loucura que me faça simplesmente crer e não andar mais ansioso por nada. Quanto a vocês, tirem suas próprias conclusões...o texto ficou muito longo.
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